O Brasil está envelhecendo.
Não é uma impressão. É uma transformação demográfica profunda. Vivemos mais, temos menos filhos e, nas próximas décadas, haverá proporcionalmente menos jovens entrando no mercado de trabalho e mais brasileiros deixando suas atividades profissionais.
Isso nos obriga a fazer uma pergunta que vai muito além da educação: quem vai ocupar o lugar de quem está saindo?
Precisaremos de novos eletricistas, encanadores, pedreiros, técnicos, enfermeiros, engenheiros, médicos e tantos outros profissionais.
E precisaremos de professores.
Nos últimos dias, uma pesquisa do Instituto Semesp colocou novamente esse problema nas manchetes. O estudo mostra o envelhecimento do quadro docente e a dificuldade de renovação da profissão. Entre 2015 e 2025, o número de professores do Ensino Médio com até 24 anos caiu 31,1%, enquanto aumentou fortemente a presença de profissionais nas faixas etárias mais elevadas.
O diagnóstico é importante.
Mas precisamos avançar para outra pergunta: como formar a próxima geração de professores?
Essa discussão precisa também chegar aos estados brasileiros. Defendemos que a Formação de Docentes em nível médio volte a ocupar espaço nas redes de ensino, respeitando a realidade e a autonomia de cada estado. A legislação brasileira permite esse caminho, e experiências existentes mostram que é possível começar ainda no Ensino Médio a despertar vocações, oferecer formação profissional e construir uma ponte para as licenciaturas. Se queremos enfrentar a falta de professores com planejamento, não podemos esperar o jovem chegar à universidade para apresentar a ele a possibilidade de ensinar. Precisamos começar antes.
Talvez o primeiro passo seja voltar a apresentar a docência aos jovens pelo que ela realmente é: uma profissão.
Uma profissão que exige formação, conhecimento e permanente atualização. Que oferece diferentes possibilidades de atuação, permite seguir estudando, especializar-se, ensinar, pesquisar, coordenar, dirigir e construir uma trajetória profissional.
E que possui algo difícil de medir apenas em salário ou empregabilidade: poucos profissionais passam pela vida de tantas pessoas quanto um professor.
Todos tivemos professores. Alguns esquecemos. Outros carregamos conosco pelo resto da vida.
Foi com essa visão que nasceu o Geração Professor.
Em 2026, percorremos colégios estaduais do Paraná que oferecem o Curso de Formação de Docentes. Conversamos com aproximadamente três mil estudantes e, em cada turma, procuramos fazer algo muito simples: falar sobre profissão, futuro e oportunidades.
Não fomos às escolas assustar jovens com a possibilidade de um apagão de professores.
Fomos conversar com jovens que já fizeram uma escolha.
Mostramos a grandeza dessa escolha, mas também falamos sobre carreira, formação superior, possibilidades profissionais e os caminhos que ainda podem percorrer.
E encontramos muita gente querendo ensinar.
No próximo dia 15 de outubro, Dia do Professor, estudantes da terceira série desses cursos irão conhecer o campus da PUCPR. Poderão entrar em salas, conhecer cursos, conversar com professores e enxergar de perto a possibilidade de continuar sua formação no Ensino Superior.
É uma ação pequena diante do tamanho do problema.
Mas problemas grandes também começam a ser enfrentados com ações possíveis.
O envelhecimento da população brasileira exigirá que olhemos com muito mais atenção para a formação profissional dos jovens. Isso valerá para o técnico que cuidará das nossas instalações, para o profissional que construirá nossas casas, para quem cuidará da nossa saúde e também para quem estará diante das próximas gerações dentro de uma sala de aula.
Diagnosticar a falta futura de profissionais é necessário.
Mas talvez seja ainda mais importante olhar para os jovens que estão hoje nas escolas e perguntar:
que futuro estamos mostrando a eles?
No caso dos professores, não precisamos esperar as salas de aula ficarem sem profissionais para começar.
Existem jovens escolhendo ensinar agora.
Precisamos encontrá-los, valorizá-los e ajudá-los a seguir em frente.
Eles já escolheram ensinar. Nós escolhemos apoiar.



